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Imperialismo afia as garras.

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O secretário-geral da Aliança Atlântica, Anders Fogh Rasmussen, defende a permanência no Afeganistão «o tempo necessário para acabar o trabalho» e esclareceu que em 2011 «não haverá retirada de tropas ocidentais». As palavras do responsável da NATO foram proferidas num contexto de escalada da animosidade face à ocupação norte-americana do território.

O secretário-geral da Aliança Atlântica, Anders Fogh Rasmussen, defende a permanência no Afeganistão «o tempo necessário para acabar o trabalho» e esclareceu que em 2011 «não haverá retirada de tropas ocidentais». As palavras do responsável da NATO foram proferidas num contexto de escalada da animosidade face à ocupação norte-americana do território.

Milhares de afegãos saíram às ruas a semana passada para contestarem a presença dos EUA no país e repudiarem a conduta de um pastor evangélico que, a propósito do 9.º aniversário do 11 de Setembro, pretendia queimar exemplares do Corão. Em Fayzabad, uma multidão apedrejou mesmo uma base da NATO e exigiu a retirada imediata das tropas.

Paralelamente, foi conhecido um caso de assassínio múltiplo perpetrado por soldados ocupantes. Cinco militares estão acusados de praticarem «tiro ao alvo» em civis afegãos e profanarem os corpos das vítimas, enquanto outros sete estão indiciados por ocultação do sucedido e espancamento do soldado que denunciou as práticas da patrulha estacionada em Kandahar.

Por estes dias, a NATO foi também obrigada a reconhecer responsabilidades na morte de dez trabalhadores e um candidato às «eleições» parlamentares. Os indivíduos foram atingidos por um bombardeamento no passado dia 2 de Setembro.

Indiferente a tudo isto, na mesma entrevista ao jornal espanhol ABC, Rasmussen acrescentou que «os talibãs nunca irão ganhar, e não retomarão o poder pela força». Ora os talibãs, por seu lado, emitiram um comunicado no qual sublinham que os EUA «perdem todas as oportunidades de instaurar a paz», pelo que «só lhes resta uma opção: retirar incondicionalmente».

No documento, os insurgentes dizem ainda que a exigência de retirada sem condições se justifica pelo facto de Washington ter invadido e ocupado o país de modo ilegal e «porque são os derrotados».

Sem vergonha

Mas o rol de declarações que demonstram que o imperialismo não quer a paz, mas semear pretextos para a continuação das guerras não se fica por aqui. O mesmo secretário-geral da NATO defendeu, desta feita em entrevista ao Sunday Telegraph, a instalação de um escudo antimíssil na Europa.

A instalação do «escudo» foi amplamente contestada pelos povos da Polónia e República Checa, países cujas burguesias concordaram em acolher a primeira versão do sistema.

O projecto actual custa 200 milhões de euros, valor que Rasmussen considera pouco significativo face ao que chamou de ameaça iraniana. Quando expira o prazo dado pela Agência Internacional de Energia Atómica para que o Irão permita a entrada no país de inspectores ao seu serviço, as afirmações que dão como certa a existência de uma «ameaça iraniana» só servem para avolumar uma nova frente de conflito.

Mas o dirigente da Aliança Atlântica revelou igualmente que a ideia de instalação de um escudo antimíssil na Europa merece o acordo do presidente norte-americano, Barack Obama, o qual terá admitido colocar no Velho Continente um novo comando e centro de controlo da rede de sensores e radares e avançar com o projecto já na próxima Cimeira da NATO, a realizar em Lisboa no próximo mês de Novembro.

A falta de vergonha do imperialismo é tal que Rasmussen só se calou quando a insuspeita Amnistia Internacional (AI) garantiu que no Iraque continuam a ser efectuadas prisões ilegais, continuam a desaparecer prisioneiros e muitos dos detidos continuam a ser alvo de torturas para que «confessem» supostos crimes.

Sobre o documento da AI onde se afirma que cerca de 30 mil iraquianos - entre os quais 10 mil indivíduos recentemente transferidos de prisões norte-americanas - permanecem detidos sem qualquer acusação, não se ouviu uma palavra. Nem do secretário-geral da NATO, nem de Barack Obama.

Artigo tirado de Avante, nº 1920.

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